
A ANTECIPA realizou, entre os dias 18 e 22 de maio de 2026, o Simpósio “ANTECIPA 10 Anos: Legados e Horizontes da Ciência do Patrimônio no Brasil”. O evento foi um marco histórico de celebração de uma década de atuação da Associação.
Realizado no Auditório A104 do CAD 2 na UFMG, em Belo Horizonte, o evento adotou um formato híbrido, integrando atividades presenciais e transmissões online que alcançaram pesquisadores em escala nacional e internacional
As atividades foram precedidas, no dia 15 de maio, com uma imersão técnica na paisagem histórica de Ouro Preto, articulando a expertise de membros da ANTECIPA e de renomados especialistas internacionais às realidades do patrimônio mineiro. A delegação contou com a presença de Luca Pezzati e Jana Striova, pesquisadores do Conselho Nacional de Pesquisa da Itália (CNR-IT) e do Projeto ARTEMIS, cujas discussões focaram na fronteira tecnológica da preservação através do uso de “gêmeos digitais reativos”. Integrou também a comitiva o prof. Nicola Schiavon, da Universidade de Évora, coordenador do programa ARCHMAT, reforçando o compromisso do Simpósio com a formação de excelência em redes globais de Ciência do Patrimônio. A visita foi acompanhada pela historiadora e conservadora-restauradora do IPHAN, Ana Carolina Neves Miranda, e pela vice-coordenadora do Programa de Pós Graduação em Ambiente Construído e Patrimônio Sustentável da UFMG, Profa. Renata Baracho. O grupo visitou a Igreja de São Francisco de Assis, monumento que está sendo considerado para os estudos de gestão de riscos e documentação por HBIM no âmbito do projeto ARTEMIS.

Visita a Igreja São Francisco de Assis em Ouro Preto. Foto: Willi Gonçalves
A jornada incluiu ainda um profícuo intercâmbio acadêmico no Campus do IFMG Ouro Preto, com recepção por docentes do Curso de Tecnologia em Conservação e Restauro e visita às instalações do Curso.


Visita ao IFMG Campus Ouro Preto. Fotos: Willi Gonçalves
O percurso finalizou com uma visita aos laboratórios da FAOP Fundação de Arte de Ouro Preto, destacando a sinergia entre pesquisa de ponta e a prática laboratorial da conservação-restauração.

Visita à Fundação de Arte de Ouro Preto. Foto: Willi Gonçalves
As atividades do dia 18 de maio marcaram o início oficial das articulações do Simpósio com uma reunião preparatória de alto nível na Sala da Congregação da Escola de Belas Artes da UFMG, cujo objetivo foi promover o alinhamento estratégico entre instituições brasileiras e europeias para o financiamento e a execução de projetos em Ciência do Patrimônio. Este encontro preliminar contou com a presença dos convidados internacionais do Simpósio e com a participação estratégica de autoridades fundamentais para o fomento e a proteção do patrimônio no Brasil, incluindo Carlos Alberto Aragão de Carvalho Filho (Diretor de Desenvolvimento Científico e Tecnológico da Finep), representantes da Diretoria de Ciência, Tecnologia e Inovação da FAPEMIG, Ingrid Lamounier Machado e Lucas Silqueira Franco Maia representando o Prof. Luiz Gustavo de Oliveira Lopes Cançado, e o Dr. Marcelo Maffra, Promotor de Justiça e Coordenador das Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico de Minas Gerais (CPPC) do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que debateram a integração do ecossistema de preservação com as redes internacionais de pesquisa. A participação de Vania Virgili, Diretora Geral da E-RIHS ERIC – Infraestrutura Europeia de Pesquisa em Ciências do Patrimônio, foi central para as articulações internacionais. Ella apresentou um panorama da infraestrutura europeia, destacando o papel da E-RIHS no ecossistema global de Ciência do Patrimônio.

Reunião executiva preparatória do evento. Foto: isabel Bousada
A abertura oficial institucional, em 19 de maio, teve a presença do Prof. Fernando Mencarelli, Pró-Reitor de Cultura da UFMG, representando a Reitoria e da Diretora da Escola de Belas Artes, Profa, Camila Rodrigues Moreira Cruz e foi coroada pela conferência de Vania Virgili, que discutiu o panorama global da Ciência do Patrimônio. Durante o dia, as sessões científicas exploraram o impacto das tecnologias digitais, com destaque para a apresentação de Yacy Ara Froner sobre protocolos de gestão de riscos por HBIM e a explanação de Luca Pezzatti e Jana Striova sobre “gêmeos digitais reativos” no Projeto ARTEMIS.

Abertura Institucional do evento. Foto: Isabel Bousada.


Flashes do evento. Fotos: Isabel Bousada.

Luca Pezzati, Jana Striova e Nicola Schiavon. Foto: Isabel Bousada.

Luca Pezzati, Emilio Cano, Luiz Souza, Vania Virgili, Willi Gonçalves, Nicola Schiavon. Foto: Federica Baldassari.
A programação da tarde teve início com a mesa temática “Política de financiamento de Ciência, Tecnologia e Inovação para preservação do Patrimônio Cultural”, que reuniu representantes de instituições estratégicas para o desenvolvimento da pesquisa e da preservação cultural no Brasil. Participaram do debate Paula Carolina Miranda Novais e Renata Fonseca Guimarães, do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), e Saulo Carrilho de Paula, do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA-MG). A discussão foi moderada pela professora Karla Balzuweit, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e abordou desafios e oportunidades relacionados ao financiamento de projetos voltados à proteção, pesquisa e valorização do patrimônio cultural.

Mesa temática 1: Profa. Karla Balzuweit, Paula Novais, Renata Guimarães e Saulo de Paula Foto: Isabel Bousada.
Na sequência, o público acompanhou a conferência “Ciência do Patrimônio e diplomacia em C,T&I: Alianças estratégicas e novos acordos de cooperação internacional”, ministrada por Carlos Eduardo Higa Matsumoto, da Assessoria Especial de Assuntos Internacionais do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). A palestra discutiu o papel da cooperação internacional e da diplomacia científica na construção de parcerias estratégicas capazes de impulsionar a pesquisa, a inovação e a preservação do patrimônio cultural em escala global. A sessão foi moderada pela professora Jacqueline Takahashi, Pró-Reitora Adjunta de Pesquisa da UFMG.

Profa. Jacqueline Takahashi e Carlos Matsumoto. Foto: Isabel Bousada.
Encerrando as atividades do dia, o pesquisador Emilio Cano, do Centro Nacional de Investigações Metalúrgicas (CENIM), vinculado ao Conselho Superior de Investigações Científicas da Espanha (CSIC), apresentou a conferência “25 years of advancing heritage science in Spain: The E-RIHS National Node and the evolution of the collaborative scientific community”. A palestra ofereceu uma visão abrangente sobre a evolução da Ciência do Patrimônio na Espanha, destacando o papel da infraestrutura europeia de pesquisa E-RIHS e das redes colaborativas internacionais no avanço do conhecimento científico aplicado à preservação do patrimônio cultural. A moderação ficou a cargo do professor Pedro Lana Gastelois, pesquisador do Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN) e docente da UFMG.

Profs. Pedro Lana e Emilio Cano. Foto: Isabel Bousada.
O terceiro dia, 20 de maio, foi marcado por uma visita técnica de campo de profunda relevância territorial e social, levando os congressistas à Aldeias Indígena Katurama e Memorial Brumadinho. Esta imersão reforçou o papel da Ciência do Patrimônio frente a contextos de vulnerabilidade e à salvaguarda da memória coletiva em Minas Gerais.

Visita à aldeia Katurama. Foto: Willi Gonçalves

Visita ao Memorial Brumadinho. Foto: Willi Gonçalves
Em 21 de maio, o foco do evento aberto ao público inscrito voltou-se para a formação de excelência e a cooperação regional, com a conferência de Nicola Schiavon sobre educação em redes globais
A Mesa Temática 2, intitulada “Horizontes da Ciência do Patrimônio: Visões dos ex-presidentes da ANTECIPA”, promoveu uma reflexão sobre a trajetória da Associação e os desafios futuros para a consolidação da Ciência do Patrimônio no Brasil. Participaram do debate os ex-presidentes da ANTECIPA Profas. Thais Sanjad (UFPA), Márcia Rizzo (UFRJ) e Luiz Antônio Cruz Souza (UFMG). Também participou da mesa a Profa. Flávia Palácios, da UFPA. A mesa foi moderada pelo professor Willi de Barros Gonçalves (UFMG). A mesa reuniu experiências institucionais acumuladas ao longo da história da ANTECIPA, destacando avanços na formação de redes colaborativas, na internacionalização da área, na produção científica e no fortalecimento das ações voltadas à pesquisa, inovação e preservação.

Mesa temática com as ex-presidentes da ANTECIPA. Foto: Isabel Bousada
A Mesa Temática 3, intitulada “Desafios e perspectivas para a Ciência do Patrimônio no contexto sul-americano”, reuniu representantes de importantes instituições acadêmicas da América do Sul para discutir oportunidades de cooperação regional, desenvolvimento científico e fortalecimento das redes de pesquisa em patrimônio cultural. Participaram da mesa Juan Carlos Rodríguez Reyes, da Universidad de Ingeniería y Tecnología (Peru), Fernando Marte, da Universidad Nacional de San Martín (Argentina), Paula Jimena Matiz López e Elkin Bernal, da Universidad Externado de Colombia. A sessão foi moderada pelo professor Luiz Antônio Cruz Souza (UFMG) e destacou experiências nacionais, desafios compartilhados e perspectivas para a construção de agendas colaborativas voltadas à preservação, pesquisa e valorização do patrimônio cultural sul-americano, reforçando a importância da integração científica entre os países da região.

Mesa temática sobre formação em ciência do patrimônio no contexto sulamericano, com participação a distância dos Profs. Fernando Marte, Elkin Bernal, Paula Matiz, Juan Carlos Rodriguez e moderada presencialmente pelo Prof. Luiz Souza. Foto: Isabel Bousada
A Mesa Temática 4, intitulada “Articulação de redes colaborativas em Ciência do Patrimônio no Brasil”, promoveu um debate sobre os desafios e oportunidades para o fortalecimento da cooperação científica e institucional no país. Participaram da discussão as Profas. Elisabete Edelvita Chaves da Silva (Casa de Oswaldo Cruz/FIOCRUZ), Márcia Rizzutto (USP), Carla Carvalho (UFF) e Caroline D’Oca (UFPR), o Prof. Renato Freitas (IFRJ) e o Dr. Marcus Andrade (Polícia Federal). Moderada pelo professor Fabrício Santos (IN2PAST.BR), a sessão destacou a importância da integração entre universidades, instituições de pesquisa, órgãos públicos e laboratórios especializados para ampliar a capacidade de pesquisa, formação de recursos humanos, compartilhamento de infraestrutura e desenvolvimento de projetos colaborativos voltados à preservação do patrimônio cultural brasileiro.

Mesa temática sobre articulação de redes colaborativas em ciência do patrimônio no Brasil, com participação presencial da Profa. Elisabete Edelvita (Casa de Oswaldo Cruz) e Prof. Fabrício Santos (UFMG). Fotos: Isabel Bousada
Muita emoção marcou a mesa redonda com os membros beneméritos da ANTECIPA: a professora Beatriz Coelho, o professor André Prous e o professor Mário Mendonça de Oliveira. Na mesa temática conduzida pela professora Camilla Henriques Maia de Camargos (UFMG), os homenageados compartilharam memórias, experiências profissionais e reflexões sobre suas trajetórias acadêmicas, destacando suas contribuições para a consolidação da conservação-restauração, da arqueologia e da Ciência do Patrimônio no Brasil. A sessão constituiu um momento especial de reconhecimento à dedicação dos professores. O encontro foi marcado por relatos inspiradores, manifestações de carinho e reconhecimento pela celebração do legado acadêmico, científico e humano construído pelos homenageados ao longo de décadas de atuação. Ao final da sessão, os membros beneméritos receberam placas comemorativas em homenagem à sua trajetória e contribuição para a ANTECIPA, entregues pelos estudantes Bárbara Carvalho, Felipe Vasconcelos e Sarah Carvalho e Luana Possato. A professora Thais Sanjad representou presencialmente os professores Mário Mendonça de Oliveira e Dora Alcântara.


Mesa temática e homenagem aos Beneméritos da ANTECIPA: Profa. Beatriz Coelho, Prof. Mário Mendonça, Prof. André Prous. A Profa. Thais Sanjad representou presencialmente a Profa. Dora Alcântara e o Prof. Mário Mendonça. Foto: Isabel Bousada
O encerramento do evento aberto ao público inscrito foi marcado por uma homenagem póstuma ao Prof. Antonio Sgamellotti, feita pela Presidência da ANTECIPA.

Sessão de encerramento do evento aberto ao público inscrito. Foto: Isabel Bousada
As atividades foram finalizadas em 22 de maio com um circuito de visitas técnicas a laboratórios da UFMG, permitindo que palestrantes, convidados e delegações internacionais conhecessem as infraestruturas do CECOR, do Laboratório Nucletrans e do Centro de Microscopia.

Visita ao Laboratório de Ciência da Conservação (LACICOR / EBA) Foto: Willi Gonçalves

Visita ao Laboratório de Conservação Preventiva (LACONPRE / EBA) Foto: Sarah Carvalho

Visita ao Laboratório Nucletrans (EE) Foto: Willi Gonçalves

Visita ao Centro de Microscopia da UFMG Foto: Willi Gonçalves
Ao longo de toda a programação, o simpósio reafirmou a missão da ANTECIPA de articular redes colaborativas e inspirar novas gerações dedicadas à preservação ética e tecnológica do patrimônio cultural brasileiro.

Comissão Organizadora e estudantes colaboradores.